Sustentabilidade ambiental aos olhos de uma estudante da CLSBE

O crescimento e a estabilidade das economias dependem de fatores externos como o clima - conheça a perspectiva da nossa aluna Carolina Dinis sobre a utilização racional dos recursos naturais por meio da inovação tecnológica para reverter o Aquecimento Global e garantir a Sustentabilidade Ambiental.

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Nuno Loureiro

Publicado a 08-06-21

Sustentabilidade ambiental aos olhos de uma estudante da CLSBE banner
Texto escrito por Carolina Dinis, estudante de licenciatura de Economia na Católica Lisbon School of Business & Economics. Interessada nos temas de Sustentabilidade Ambiental, Smart Cities e Greentech. Visionária e positiva em relação ao nosso futuro, quer ajudar as empresas e, em geral, as economias a transitar para um crescimento ambientalmente sustentável.


É um dos termos mais utilizados atualmente, mas o que é que significa? Ouvimo-lo associado a outros conceitos como Alterações Climáticas e Desenvolvimento Sustentável. Alguns especialistas sugerem definições mais completas sobre este tema. Parece não existir ainda consenso.
 
Até há pouco tempo pensava-se que crescimento económico conduzia diretamente à escassez dos recursos na natureza. Mas hoje sabemos que as economias podem atingir níveis elevados de desenvolvimento através de meios mais sustentáveis graças à inovação tecnológica, garantindo-se assim a Sustentabilidade Ambiental.

Sustentabilidade Ambiental é consequência da utilização racional de recursos naturais, evitando a destruição da natureza que põe em causa a disponibilidade desses recursos no futuro. Isto implica o aproveitamento de recursos renováveis, como a luz solar e o movimento das ondas do mar, e a sua gestão rigorosa. E aqui, a tecnologia tem um papel fundamental: permite-nos desenvolver processos de produção mais eficientes e monitorizar as atividades, conduzindo a menos desperdício e menor consumo de recursos. 

A digitalização já se encontra em vários quadrantes da sociedade, desde as empresas às escolas. Este processo pode ainda evoluir para outros aspetos da vida do cidadão, que vai de encontro ao conceito de Smart Cities (ou cidades inteligentes). 

A União Europeia define Smart City como “um lugar onde as redes e serviços tradicionais se tornam mais eficientes com o uso de tecnologias digitais e de telecomunicações para o benefício dos seus habitantes e empresas”, ao mesmo tempo, reduzindo emissões de carbono. Este conceito abrange tudo o que pode ser potenciado pela tecnologia com o objetivo de melhorar a vida das pessoas e proteger o ambiente. Como por exemplo: na gestão de trânsito e de estacionamento; produção urbana de alimentos (hortas); segurança rodoviária; gestão de espaços verdes e de resíduos; gestão de energia urbana, residencial e empresarial (ligada ao conceito de Smart Building), entre outros. 

É importante salientar, que este fenómeno não exclui as zonas menos povoadas dos países. Na verdade, a tecnologia pode reduzir esse desequilíbrio demográfico. Por exemplo, transportes coletivos mais rápidos, seguros e acessíveis têm a capacidade de atrair a fixação de pessoas e empresas para os meios rurais. Não consigo deixar de fazer referência a um grande projeto de mobilidade que está a ser desenvolvido por diferentes empresas em vários continentes, o Hyperloop. Trata-se de um canal onde circularão cápsulas a alta velocidade por meio de levitação magnética. A empresa europeia Hardt garante que o Hyperloop é “uma alternativa limpa para voos de curta distância” que “usa menos energia por passageiro do que o comboio ou o avião e é totalmente movido a eletricidade renovável”.

Empresas inovadoras como a Hardt reforçam a minha positividade em relação a um futuro sustentável. No entanto, reconheço que grandes projetos requerem grandes investimentos. Por isso, gostaria de apelar à colaboração dos líderes dos países e de organizações internacionais que têm autoridade para desbloquear problemas de subfinanciamento e burocracia, que dificultam o desenvolvimento de projetos sustentáveis. 

O caminho para a Sustentabilidade Ambiental faz-se por todos os setores com incontáveis soluções: produção de energia renovável; criação de uma economia circular; reflorestação; aumento de espaços verdes nas cidades; implementação de tecnologias de captura de carbono; investimento em transportes públicos mais eficientes e movidos a energia limpa; redesign do espaço urbano para incentivar a micromobilidade; substituição de plástico por materiais mais sustentáveis; entre outras soluções. É um caminho em que todos nós temos a responsabilidade de cooperar, seja nas pequenas decisões que tomemos, (utilizar uma garrafa reutilizável em vez de inúmeras garrafas de plástico) como nas grandes decisões tomadas pelos nossos representantes (fechar uma central a carvão e promover estações fotovoltaicas). 

Porque é que devemos agir em direção à Sustentabilidade Ambiental?

Uma forma muito simples de perceber a importância de antecipar soluções e agir de modo a evitar um problema provável de acontecer no futuro, é olharmos para a situação atual da pandemia. Acontece que muitos especialistas, e mesmo Bill Gates em 2015 numa Ted Talk, falaram na possibilidade de enfrentarmos crises pandémicas com maior frequência no futuro. 

O que é que os governos e as empresas fizeram com essa informação? Não investiram o suficiente em investigação nem em ciência. Não anteciparam planos de contenção de vírus nem se testou possíveis vacinas, a tempo. Ninguém se preparou para os dias de hoje. E agora imaginem que aqueles cientistas que alertam para o aquecimento global (em amplo consenso, desde o final da década de 1980) têm razão e que hoje assistíamos a extremos insuportáveis nas temperaturas ambientais e aumento da ocorrência e da gravidade das catástrofes naturais, e nada tínhamos feito para travar a alterações climáticas, nem preparado planos para lidar com estes fenómenos. Em vez de uma crise pandémica estaríamos sob uma crise climática, ou talvez ambas. E devo alertar que um vírus não faz tantos estragos, diretamente, na sociedade como um tornado que destrói tudo por onde passa ou um incêndio florestal que mata toda a biodiversidade que atinge. 

Antecipação e prevenção são cruciais para combater ou evitar situações destas no futuro. Se o fizermos, seremos mais resilientes nas próximas crises. 

O bem-estar da população e a saúde do nosso Planeta dependem de soluções mais ecológicas e sustentáveis no nosso dia-a-dia.

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